A actividade vulcânica pode originar catástrofes naturais. A violência de algumas erupções vulcânicas ao longo da História matou milhares de pessoas e modificou a composição atmosférica e o clima por algum tempo. Os cientistas consideram que apenas uma única erupção vulcânica pode afectar todo o planeta, por isso tem sido desenvolvida tecnologia avançada que permita prever erupções vulcânicas, salvando a vida a milhares de pessoas.
Embora alguns vulcões possam ser muito destrutivos, as suas vertentes são escolhidas por muitas pessoas para aí habitarem. Uma das razões desta escolha são os solos férteis originados pelos depósitos vulcânicos, excelentes como campos de cultivo. Em algumas partes do Mundo, materiais valiosos como o ouro, o ferro, o enxofre e os diamantes têm origem na actividade vulcânica, levando ao aparecimento de aglomerados populacionais nesses lugares.
Nos Açores e na Islândia, as rochas vulcânicas perto da superfície atingem temperaturas tão elevadas que a água que as atravessa pode ser usada para aquecimento de casas e estufas ou mesmo para a produção de energia eléctrica.
As áreas vulcânicas oferecem paisagens espectaculares, atraindo excursões de visitantes aos géiseres, fontes termais, fumarolas e às encostas dos vulcões, funcionando assim como pólos turísticos que desenvolvem a região.
Esquemas de aparelhos vulcânicos característicos dos diversos tipos de erupções vulcânicas
Imagens reais de aparelhos vulcânicos característicos dos diversos tipos de erupções vulcânicas
Escoadas- Extensões de lava ao longo dos terrenos envolvente do vulcão.
Nuvem ardente- grande quantidade de gases e poeiras, libertados por um vulcão, com elevadas temperaturas.
Vulcanismo secundário, atenuado ou residual
-fenómenos vulcânicos que ocorrem entre erupções
vulcânicas ou após uma erupção vulcânica.
Tipo de
actividade
Substância emitida
Estado físico da substância emitida
Temperatura
(ºC)
Actividade fumarólica.
1- Fumarola quente
Compostos ricos em ácido clorídrico
Gasoso
Elevada (900)
2- Sulfatara
Compostos ricos em enxofre
Gasoso
Elevada (100-300)
3- Mofeta
Compostos ricos em dióxido de carbono
Gasoso
Elevada (100)
4- Géiser
Água
Líquido (jactos intermitentes)
Elevada
5- Nascente termal/ Fonte termal
Água rica em sais minerais
Líquido
Por vezes elevada
Epicentro- local da superfície terrestre, situado na vertical do hipocentro (Figura 1 e 2), onde se verifica maior intensidade do sismo.
Causas dos Sismos:
1- Fracturação e
deslizamento das rochas;
2- Movimento do magma no interior
da Terra e erupções vulcânicas explosivas;
3- Abatimento de terrenos.
Como se detectam e registam as ondas sísmicas?
Sismógrafo- aparelho que detecta e regista as vibrações sísmicas.
Os registos efectuados são chamados sismogramas.
Apesar dos inúmeros riscos a que ficam sujeitas as pessoas que vivem em regiões vulcânicas também há algumas vantagens:
- Os solos são muito férteis e bons para a agricultura, desde que exista água;
- São regiões normalmente turísticas, podendo este facto constituir uma fonte de rendimento.
Um sismo pode ser avaliado usando uma escala de intensidade (Escala de Mercalli e Sieberg) ou uma escala de magnitude (Escala de Richter) (Tabela I e II).
A intensidade de um sismo num determinado local, avalia-se por entrevista às populações e pela verificação, no local, por técnicos especializados das declarações dos inquiridos.
Tabela I- Escala de Mercalli-Sieberg Modificada (INTENSIDADE de um sismo)
Cataclismo
XII
Grande pânico. Destruição total. Terreno ondula. Objectos voam.
Catastrófico
XI
Pânico. Poucas estruturas resistem. Largas fendas nos terrenos.
Destruidor
X
Pânico. Só os melhores edifícios se mantêm. Fundações arruinadas. Os carris dobram. O chão é fortemente afectado. Grandes deslizamentos.
Desastroso
IX
Pânico. Destruição total das estruturas frágeis. danos importantes nas grandes construções. Fundações afectadas. Canalizações estoiradas. Fissuras nos terrenos.
Ruinoso
VIII
Alarme geral. Toda a gente foge. As estruturas frágeis são fortemente atingidas e as principais ligeiramente; queda de monumentos; mobília pesada virada.
Muito forte
VII
Muitas pessoas fogem alarmadas. Os edifícios de estrutura fraca são danificados. É sentido pelas pessoas que se encontram no interior de carros em movimento.
Bastante forte
VI
Sentido por todos. Chaminés caem, a mobília desloca-se.
Forte
V
Sentido pela maioria das pessoas. O estuque cai, partem-se pratos e vidros de janelas.
Medíocre
IV
Algumas pessoas acordam, vibração de pratos e janelas (sensação de camião a chocar com edifício).
Fraco
III
Vibração semelhante à de um camião. Os carros parados deslocam-se.
Muito fraco
II
Sensível para certas pessoas. Os objectos suspensos oscilam.
Imperceptível
I
Detectado só pelos instrumentos
Tabela II- Escala de Richter (MAGNITUDE de um sismo)
8 e >
Desastre em larga escala
7-7,9
Queda de pontes e barragens
6-6,9
Fendas no chão, queda de edifícios
5-5,9
Queda de mobiliário
4-4,9
Vidros partidos
3-3,9
Sentido pela maioria das pessoas
2-2,9
Sentido por algumas pessoas
1-1,9
Sentido apenas pelos sismógrafos
Fig.3 Carta de isossistas do sismo de Benavente
Isossistas- são linhas que unem pontos de igual intensidade de um sismo (Figura 3). As isossistas (linhas a vermelho, figura 3) são estabelecidas a partir do epicentro, diminuindo a intensidade do sismo à medida que nos afastamos do epicentro (localizou-se próximo de Benavente).
Fig.4 Arquipélago dos Açores (região vulcânica e sísmica)
É difícil estudar a estrutura interna da Terra unicamente através da observação directa. Até hoje o Homem conseguiu fazer observações directas até cerca de 7 km de profundidade em minas de diamantes da África do Sul, e em furos de sondagens que atingiram apenas os 12 km.
Para conhecimento do interior da Terra é preciso efectuar muitas observações e consequentes estudos. Sabe-se que a Terra tem, em média, 6.400 Km de raio e, portanto, um estudo directo não poderá ir além de pequenas profundidades. De facto, para além das milhares de sondagens que se tem feito para prospecção de jazigos de petróleo e outros minerais as quais não excedem geralmente a profundidade de 2.500 metros (quando ultrapassam esta profundidade dizem-se ultraprofundas e não ultrapassam os 9.000 metros), efectuaram-se algumas sondagens ultraprofundas com o objectivo de se conhecer a constituição do interior da Terra. Contudo, a perfuração mais profunda atingiu a profundidade de 12.023 metros, realizada, em 1984, na Península de Kola (ex-URSS), o que corresponde a 0,19% do raio da Terra. A perfuração de poços de grande profundidade permite que se realizem importantes investigações no domínio da petrologia, paleontologia, geoquímica e geofísica. As minas que se destinam à exploração de recursos minerais não excedem os 4 Km de profundidade.
Diagrama mostrando os principais métodos de estudo para a compreensão da estrutura interna da Terra.
O estudo aprofundado dos afloramentos rochosos à superfície são de grande importância para o conhecimento da estrutura interna da Terra. Algumas rochas que têm a sua origem em profundidade podem aflorar à superfície. Para isso é necessário que sejam submetidas a forças que as façam ascender e, posteriormente, sejam postas a descoberto pela erosão. O vulcanismo, no seu sentido limitado, é um fenómeno superficial, pois os produtos emitidos na superfície e a formação do aparelho vulcânico podem ser observadas directamente. Mas as causas do vulcanismo são de origem profunda. A matéria fundida (magma) que alimenta os vulcões forma-se no interior da Terra em consequência de perturbações do equilíbrio normal.
Para as zonas que ultrapassam os processos de observação directa, há que recorrer a outros métodos, chamados indirectos, como por exemplo o magnetismo, a sismicidade, o estudo dos meteoritos e a astrogeologia, a fim de conhecer o que se passa naquelas zonas do nosso planeta. Nas páginas seguintes, a título de exemplo, tentaremos dar uma ideia do contributo da Sismologia para o conhecimento do interior da Terra.
Estende-se desde a base da crosta até aos cerca de 2900 km de profundidade. É formada por rochas muito densas, ricas em ferro e magnésio, como o peridotito.
Núcleo
É a zona central da Terra. Estende-se até ao centro da Terra, aos 6370 km de profundidade. É constituído por ferro e níquel.
Este quadro é um exemplo da divisão em andares, por ordem cronológica do mais antigo na base para o mais recente no topo,de um Período=Sistema, nesta caso o Jurássico, unidade da era Mesozóica. Por sua vez os andares estão subdivididos em unidades biocronológicas, tais como Zonas, Subzonas e Horizontes.
Este quadro mostra, de uma forma simplificada, a origem dos nomes (designações) dos Períodos=Sistemas, pertencentes às respectivas Eras, e à Escala de tempo bioestratigráfica, que está construída por ordem cronológica do mais antigo na base para o mais recente no topo.